Programa Centelha 3 transforma ideias científicas em novos negócios em Sergipe

Com participação de projetos desenvolvidos na Unit, edital estimula o empreendedorismo tecnológico e o surgimento de startups nas áreas de saúde, sustentabilidade e inovação

Publiciado em 09/02/2026 as 09:27

 

Deve ser divulgado no próximo dia 12 de fevereiro o resultado final da primeira fase do Programa Centelha 3 Sergipe, chamada pública promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com as fundações estaduais de amparo à pesquisa (incluindo a Fapitec/SE) e a Fundação Certi. Ele oferece financiamento e capacitação para o desenvolvimento de empresas, startups e negócios de base tecnológica, científica e de inovação. 

 

Ao todo, 422 projetos com ideias inovadoras se inscreveram no edital do programa em Sergipe, que oferece financiamentos de até R$ 85,4 mil em subvenção econômica (investimento direto em startups), além de bolsas de até R$ 45,5 mil do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Nesta primeira fase, chamada de “submissão das Ideias Inovadoras”, 200 foram pré-selecionadas e devem ser confirmadas para a segunda fase da seleção, o que aguarda apenas o julgamento de possíveis recursos administrativos. 

 

Desses projetos aprovados na fase preliminar do Centelha, 11 são oriundos de pesquisas realizadas na Universidade Tiradentes (Unit), em conjunto com o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). Elas envolvem alunos e egressos dos programas de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP) e em Biociências e Saúde (PBS), além dos de graduação em Ciências Biológicas, Engenharia Química, Farmácia e Biomedicina. São ideias de startups, produtos, processos e serviços inovadores nas áreas de Biotecnologia e genética, Nanotecnologia, Inteligência Artificial e Machine Learning, Química e Novos Materiais, e Tecnologias Sociais.

 

O foco destes projetos é atender a desafios estratégicos nas áreas de saúde pública, sustentabilidade, biotecnologia e engenharia de processos, alinhadas às demandas do mercado e do setor público. “O Centelha é um programa de apoio ao empreendedorismo, no qual a pessoa tem uma ideia e ela pode se transformar em um negócio, principalmente quando a gente usa uma tecnologia. É um programa muito interessante porque os nossos alunos, tanto da graduação quanto da pós-graduação, têm ideias que utilizam o conhecimento para solucionar um problema da sociedade”, resume a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, professora Patrícia Severino. 

 

Dentre os projetos de startups pré-classificados no Centelha, destaca-se o BioNeem, que desenvolve um bioinseticida à base de neem, uma árvore originária do sudeste da Ásia. Ele tem potencial para ser aplicado no controle do mosquito aedes aegypti, com foco em aplicações urbanas e soluções sustentáveis para a saúde pública. Também se destacam a AfroCare, que busca desenvolver dermocosméticos e produtos de cuidado pessoal para pessoas de pele negra; a Nanounique, que busca oferecer uma bioembalagem para a proteção de alimentos; a iBus, um sistema de mobilidade urbana unificada; e a InCita, um sistema integrado de análise citológica assistida por inteligência artificial. 

 

As ideias classificadas na primeira fase do Centelha vão passar ainda pela segunda fase, de “submissão dos Projetos de Fomento”, que é a demonstração detalhada dos planos de negócio e viabilidade econômica de cada startup. Eles devem ser inscritos até 19 de março e avaliados até 15 de abril, com resultado final previsto para 12 de maio. O edital da chamada prevê que até 47 projetos serão contemplados ao final do processo, dividindo R$ 3,76 milhões em recursos dos fundos Nacional (FNDCT) e Estadual (Funtec) de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 

 

Projetos de destaque

 

Criado nacionalmente em 2018, o Centelha foi realizado pela primeira vez em Sergipe no ano seguinte, com 579 ideias inovadoras submetidas e 23 projetos inicialmente aprovados e contemplados com R$ 1,2 milhão em investimentos. Desse total, 22 projetos permaneceram em atividade. Já na segunda edição, em 2022,  212 ideias foram submetidas e avaliadas em três fases, as quais resultaram na aprovação e financiamento de 34 projetos. 

 

De acordo com Patrícia Severino, o programa é o edital de entrada para financiamentos dentro da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública ligada ao MCTI, que concede vários financiamentos e projetos na área de ciência e inovação. Uma das modalidades é a subvenção econômica, um recurso não reembolsável (fundo perdido) concedido para fomentar projetos de inovação, pesquisa e tecnologia, em busca de aumentar a competitividade nacional. 

 

“Essas bolsas vão ajudar as pessoas que estão iniciando um negócio a partir da pesquisa científica. Porque quando você começa uma empresa, você precisa se dedicar e ainda não tem fonte de renda. Elas fazem com que a pessoa consiga se dedicar na íntegra a execução do projeto por um período. O programa é muito importante para captar esses pesquisadores e incentivá-los a construir o empreendedorismo científico”, diz a professora, acrescentando que a presença dos alunos, egressos e pesquisadores da Unit no Programa Centelha reforça o caráter empreendedor da formação científica desenvolvida na instituição, abrindo oportunidades para os que passam pelos programas de mestrado e doutorado.

 

“Ter alunos nossos como participantes do edital do Centelha mostra como a nossa formação é muito completa para o aluno, permitindo que ele possa sair até depois dessa formação de graduação ou mestrado ou doutorado com sua própria empresa. Isto porque o Centelha vai dar um apoio financeiro para tirar a empresa do papel e dar uma alavancagem para a ideia da pessoa. Além disso, tem a formação da gestão, na qual o aluno, quando ele entra no Centelha, tem um preparo para o desenvolvimento do plano de negócio, de entender realmente quanto que ele vai precisar para desenvolver a ideia dele e quais passos ele vai conseguir nesse primeiro momento”, considera a pró-reitora. 

 

Autor: Gabriel Damásio

Fonte: Asscom Unit

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