Partidos em Sergipe se dividem entre cobrança por prisão e denúncias de perseguição após viagem de Flávio Bolsonaro aos

Após o parlamentar Flávio Bolsonaro descumprir a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes e deixar o país por rotas alternativas, as reações de lideranças federais e de blocos partidários estaduais evidenciaram o forte racha ideológico que molda a política local.

Publiciado em 29/10/2026 as 08:02
imagem ilustrativa gerada por IA

 

Após o parlamentar Flávio Bolsonaro descumprir a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes e deixar o país por rotas alternativas, as reações de lideranças federais e de blocos partidários estaduais evidenciaram o forte racha ideológico que molda a política local.

De um lado, parlamentares alinhados à esquerda e ao bloco governista classificaram o episódio formalmente como uma "fuga da Justiça" e passaram a exigir duras punições institucionais. No plano federal, o deputado João Daniel (PT-SE) usou suas redes sociais e discursos na Câmara para cobrar a responsabilização criminal imediata do senador.

"O que assistimos não foi uma viagem, foi uma fuga escancarada da Justiça brasileira. Flávio Bolsonaro desrespeitou uma ordem direta da Suprema Corte e utilizou de artimanhas de fronteira para escapar. Sergipe e o Brasil exigem respeito às leis. Não podemos tolerar que parlamentares se julguem acima da Constituição. Apoiamos a inclusão imediata do seu n  ome no Alerta Vermelho da Interpol para que ele responda pelos seus atos", declarou João Daniel.

A cobrança por respostas também ganhou eco na bancada do Senado por Sergipe. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) utilizou as redes para pautar o debate local questionando o paradeiro do parlamentar: "Por onde anda Flávio Bolsonaro?". Na mesma linha de contestação institucional, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) veio a público tecer duras críticas à carta divulgada por Flávio de Miami, definindo a postura de contestação eleitoral adotada pelo filho de Jair Bolsonaro como "ridícula".

O tom crítico também se refletiu na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). Deputados estaduais que compõem a base aliada ao governo federal manifestaram repúdio à estratégia de saída de Flávio Bolsonaro, argumentando que a conduta do senador enfraquece as instituições democráticas nacionais. Em manifestações de bastidores colhidas na Casa, lideranças da bancada governista estadual endossaram que o uso de vias alternativas de fronteira constitui um dolo claro contra o Judiciário.

"Um parlamentar que vira as costas para uma intimação do Supremo e sai do país de forma clandestina perde totalmente as condições éticas de exercer representação pública. O Judiciário precisa agir com rigor em nome da soberania das nossas leis", pontuou uma liderança governista da Alese sob reserva.

Em contrapartida, a ala conservadora e os principais aliados da família Bolsonaro no estado saíram em defesa do senador, endossando o argumento de que ele estaria sendo vítima de um cerceamento de garantias jurídicas. O deputado federal Rodrigo Valadares (PL-SE), principal expoente do bolsonarismo em Sergipe, manifestou total solidariedade à decisão de Flávio de se refugiar em Miami.

"O senador Flávio Bolsonaro não fugiu, ele se protegeu de um verdadeiro regime de exceção que se instalou no Judiciário brasileiro. As ordens emitidas contra ele nos últimos dias foram abusivas, monocráticas e puramente políticas. Qualquer cidadão, e principalmente um parlamentar eleito, tem o direito de resguardar a sua segurança e a de sua família quando as garantias constitucionais são jogadas na lixeira. Nossa solidariedade é total", afirmou Rodrigo Valadares.

Seguindo a mesma linha de solidariedade, a bancada de oposição alinhada ao campo conservador na Alese manifestou-se de forma conjunta para repudiar o que chamaram de "escalada autoritária" nas decisões do STF. Os deputados estaduais de direita enfatizaram que as medidas cautelares tomadas pelo Supremo desrespeitam as prerrogativas do mandato legislativo.

"O que estamos vendo é a criminalização da oposição no Brasil. O senador Flávio Bolsonaro agiu por legítima defesa institucional diante de decisões parciais que miram apenas um lado político. A Assembleia de Sergipe e os cidadãos de bem deste estado compreendem perfeitamente que essa saída foi para preservar a sua integridade política e pessoal", declarou o bloco oposicionista em posicionamento de bastidores na Alese.

A repercussão geral em Sergipe aponta para o isolamento do núcleo mais radical do PL sergipano, enquanto parlamentares de partidos de centro, como o PSD e o União Brasil, preferiram adotar o silêncio estratégico tanto na bancada federal quanto na Alese. Para o chamado "Centrão", o momento exige prudência para evitar que o tensionamento nacional paralise as negociações de emendas e verbas federais consideradas prioritárias para o desenvolvimento do estado.

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